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iPad ganha rivais de peso

Publicado quinta-feira, 8 de julho de 2010 às 11:09 por brsa.

Diário do Comércio - 05/07/2010

Fabricantes de grandes marcas estão entrando no mercado de tablets, que incorporam funções de smartphone, netbook e leitor de livros, tudo num mesmo equipamento

A Apple já vendeu mais de três milhões de iPads desde o seu lançamento em abril. Com o sucesso no mundo, vários fabricantes resolveram desenvolver equipamentos similares. O analista da IDC, Luciano Crippa, estima que até o final do ano mais de 8 milhões de tablets devam ser comercializados no mundo.

 

“Ninguém quer ficar para trás, nem fabricantes de PCs nem de smartphones, as grandes marcas devem ter seu tablet”. O produto tem a vantagem de reunir três dispositivos num só: netbook, smartphone e e-reader (leitor de livros e jornais), além de ser leve e dedicado à conectividade.

“Ele é mais confortável para carregar, acessa a internet, livros e outros arquivos de imagem, alguns trazem 3G e Wi-Fi. Ainda não substituem o computador do trabalho, mas vão brigar com os netbooks e smartphones”, acredita Crippa.

Outra vantagem dos novos tablets é que eles são extremamente fáceis de usar, permitindo que usuários pouco experientes fiquem à vontade acessando fotos, músicas, filmes, jogos e centenas de aplicativos disponíveis, tanto para lazer como para o trabalho, muitos adaptados dos smartphones para a nova plataforma.

O empresário Índio Brasileiro Guerra Neto, sócio-diretor da FirstCom Comunicação e do I-Group, dedicado à gestão de projetos digitais, divide seu iPad de 64 GB com seu filho de 4 anos por algumas horas na semana.

“Ele é tão simples de usar que o menino leva o equipamento para cama para desenhar, aprender o alfabeto, números e ver alguns filmes e livros infantis”.

Heavy user de tecnologia, Guerra Neto tem dois notebooks, um netbook e dois iPhones. “Já troquei o netbook pelo iPad para viagens ou trabalho fora da empresa”. Customizou o aparelho com GPS, mapas, tradutor, livros, jornais, rádios, redes sociais, sincronização de caixas postais e também usa para fazer apresentações a clientes. Fatores limitadores do iPad, segundo o empresário: a falta de USB (mas existe um adaptador para isso) e a ausência de suporte ao Flash para visualização de sites com vídeo e animações.

Concorrentes - Na esteira do produto da Apple, com funções e aplicações similares, e para atender quem busca portabilidade nas horas de lazer e no trabalho, estão surgindo outros tablets, muitos deles prometidos para o final do ano. Asus, Dell, HP, LG, Lenovo e Toshiba são algumas das marcas que estão apostando nesses equipamentos com sistemas operacionais Windows, Android, Chrome, WebOS (da Palm, comprada pela HP), entre outros. Até a RIM, fabricante do BlackBerry, está pensando em lançar um tablet PC. 

Marcel Campos, gerente de Marketing da Asus, lembra que a marca foi pioneira com os tablets leves e de telas pequenas – o T91 de 9 polegadas foi lançado no final de 2008. Ele foi substituído pelo T101 (10 polegadas) e é vendido no Brasil por R$ 1.799. Até o Natal, a Asus terá outros modelos por aqui. Um deles será o leitor digital combinado com bloco de notas Eee Tablet (tela de 8 polegadas, touchscreen), que vira as páginas em um segundo, o mais rápido do mercado, garante Marcel. O outro será o Eee Pad 121, de 12 polegadas, o primeiro da categoria com esse tamanho. Com Windows 7 e chip Intel Core 2 Duo, é ideal para substituir o notebook (ou netbook) de mesa, pois é um PC de mão com acesso a e-mails, filmes, videoconferências, redes sociais, traz o pacote Office e aplicativos que serão produzidos em parceria com a Microsoft, informa o executivo. O teclado é virtual, mas terá um dock com teclado físico acoplado também. A bateria é para durar 10 horas. .

IdeaPad U1 é nome do híbrido da Lenovo, que começará a ser vendido primeiro na China. Ele pode ser tanto um notebook (quando a tela de 11,6 polegadas estiver acoplada à tampa do portátil), como um tablet (quando se separa do resto do equipamento). Se estiver funcionando isoladamente, sem a base do notebook, o display opera com software baseado em Linux e um chipset Snapdragon da Qualcomm, o mesmo usado em smartphones mais robustos. 

Neste verão europeu está chegando às lojas da operadora O2, da Inglaterra, uma versão da Dell maior do que um smartphone e menor do que o iPad. O tablet Streak traz tela de 5 polegadas, roda Android e tem suporte para Flash 10.1. A memória interna tem 2 GB, mas pelo cartão microSD pode ser ampliada para 32 GB e o processador é o ARM. Os usuários podem baixar os aplicativos da loja Android Market pela rede 3G da operadora e atualizar as redes sociais, e-mails e mensagens instantâneas.

Outro concorrente do iPad e do e-reader Kindle (da Amazon), é o Libretto W100, da Toshiba, com duas telas sensíveis ao toque de 7 polegadas, que se abrem como um livro, e cujos conteúdos podem ser diferentes (texto em uma e, na outra, uma página da web, por exemplo). O portátil está previsto para chegar ao mercado japonês em agosto e, só depois disso estará em outros mercados. Ele traz diferentes opções de teclados, conforme a preferência do usuário, processador Pentium U5400 e memória de 2 GB.

Outros modelos de tablets prometidos são da Archos, Acer e Samsung. A ARM, fabricante de  processadores móveis, calcula que até o fim do ano cerca de 50 modelos de aparelhos portáteis estarão brigando com o iPad. A maioria deles ficará restrita ao mercado chinês.

Aplicativos brasileiros - Os dispositivos móveis se transformaram em ferramentas poderosas de comunicação e de negócios com clientes, parceiros e fornecedores. Com a popularidade de smartphones e a nova onda dos tablets, aumenta o interesse dos desenvolvedores de programas para esses portáteis. Só a App Store, a loja de  aplicativos para os produtos da Apple, tem mais de 10 mil softwares para iPad e outros 200 mil para iPhone. Mas à medida que outros tablets ganharem mercado, novos aplicativos vão surgir, já que a maioria das marcas trabalha com plataforma aberta, ao contrário da Apple.

A start-up FingerTips, de São Paulo, criada no final de 2008, cresceu com o sucesso do iPhone e iPod e agora ganha dinheiro também com o iPad. A empresa vai faturar neste ano R$ 4,5 milhões só com aplicativos para os produtos da Apple, diz um dos seus sócios, Breno Masi.

Na FingerTips trabalham 25 pessoas com idade média de 20 anos (o mais jovem tem 16), que se dedicam integralmente ao desenvolvimento de programas móveis para a Apple, bastante rigorosa na hora de aprovar os produtos, lembra Masi. A start-up tem  mais de 20 aplicativos para iPhone e iPod Touch para clientes do Itaú, Bradesco, Santander, Ponto Frio, CVC, e está fazendo outros cinco softwares para iPad. Um deles é o SuperGuiaTV, um guia eletrônico de tevê para o usuário programar sua grade personalizada, buscar programas, listar os favoritos e receber alertas sobre a hora de ele começar. A maioria dos softwares  é gratuita, apenas dois games (um jogo da velha, feito também para a plataforma Android, e um de futebol) são pagos – US$ 1,99 cada.

Outra empresa que está se dedicando a essas soluções móveis é a Ci&T voltada  para plataformas Apple, Android e RIM (BlackBerry). Uma curiosidade é que um dos aplicativos desenvolvidos pela empresa de Campinas para o iPad, o Zen Space, é o mais popular entre os japoneses na categoria Estilo de Vida, segundo ranking oficial da App Store.
Um mês após seu lançamento, o Zen Space já tinha mais de 20 mil downloads no mundo, mas liderava no Japão.

O produto é voltado para o bem-estar e relaxamento e funciona como um jardim japonês virtual. O usuário cria seu desenho na areia, enquanto pedras e folhas são movidas.

Barbara Oliveira

Um comentário para “iPad ganha rivais de peso”

  1. Henrique Gontijo disse:

    Um fato interessante é que o mercado de tablets vai crescendo e cada fabricante adota sua solução. Prover aplicações em uma plataforma (nesse caso, só enxergo a web) que atinja o maior número desse mercado é algo com muito valor de competitividade.
    O próprio Steve Jobs anunciou no último WWDC que a Apple acredita e apoia o padrão HTML5.

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